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Mulheres, jovens e baixa renda: veja perfil dos endividados no Brasil

Mulheres, jovens e baixa renda: veja perfil dos endividados no Brasil

Mulheres, jovens e baixa renda: veja perfil dos endividados no Brasil
Mulheres, jovens e baixa renda: veja perfil dos endividados no Brasil (Foto: Reprodução)

Mulheres, jovens e baixa renda: veja perfil dos endividados no Brasil


O avanço da inadimplência no Brasil tem se concentrado em grupos específicos da população. Dados recentes mostram que mulheres, jovens e pessoas de baixa renda estão mais expostos às dívidas, tanto em volume quanto nas condições de crédito.


A distribuição por gênero mostra uma leve predominância feminina entre os inadimplentes. As mulheres respondem por 51,40% das pessoas com dívidas em atraso, enquanto os homens somam 48,60%, segundo dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.


A diferença, embora não seja muito ampla, ganha relevância quando analisada em conjunto com outros indicadores, como renda média, inserção no mercado de trabalho e responsabilidades financeiras dentro dos domicílios.


A análise por renda e inserção social aponta que beneficiários de programas sociais e trabalhadores de menor renda enfrentam condições mais restritivas no acesso ao crédito e, em muitos casos, recorrem a modalidades mais caras.


Dados do Cadastro Único (Cad Único) indicam que, dentro desse grupo, há diferenças relevantes por gênero e raça, especialmente no custo do crédito. As taxas de juros médias ponderadas pelo saldo contratado chegam a 140% ao ano para mulheres negras, o maior nível entre os grupos analisados.


Em comparação, homens brancos nessa mesma base enfrentam taxas próximas de 97% ao ano, evidenciando uma diferença significativa nas condições de financiamento.


Entre trabalhadores formais, com dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), as taxas são mais baixas, mas a desigualdade persiste.


Os juros médios variam de 85% ao ano para homens brancos a 105% para mulheres negras, conforme apontou o Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central (BC). A diferença entre os grupos sugere que fatores como renda, histórico de crédito e tipo de vínculo empregatício influenciam diretamente o custo do crédito.


O uso do cartão de crédito, especialmente na modalidade rotativa, também ajuda a entender o perfil do endividamento. Essa linha é uma das mais caras do mercado e costuma ser acionada quando o consumidor não consegue pagar o valor total da fatura.


Além disso, segundo o BC, a inadimplência do jovem é maior do que a dos adultos e idosos. Em 2024, entre os jovens com renda até dois salários-mínimos, 17,4% encontravam-se inadimplentes. Para aqueles com renda entre dois e cinco salários-mínimos, a taxa de inadimplência foi de 13,8%. Já entre os jovens de maior renda, esse percentual foi de 10%.


“Uma hipótese a ser considerada é que os jovens apresentam menor controle sobre suas finanças, em razão de estarem em fase inicial de exposição a produtos de crédito, aliada a características comportamentais mais típicas dessa faixa etária, como baixa propensão ao planejamento financeiro de longo prazo”, aponta o relatório.


Entre os inscritos no Cad Único, a participação do rotativo no saldo total do cartão é elevada em todos os grupos, mas atinge níveis mais altos entre mulheres. No caso das mulheres negras, o rotativo representa 49% do total utilizado no cartão, enquanto entre mulheres brancas o percentual é de 47%.


Entre os homens, os índices também são elevados, chegando a 53% entre homens negros e 50% entre homens brancos.


No recorte da RAIS, que reflete trabalhadores com carteira assinada, os percentuais são menores, mas seguem a mesma tendência. O rotativo corresponde a 47% do saldo entre mulheres negras, 45% entre mulheres brancas, 47% entre homens negros e 40% entre homens brancos.


A persistência desse padrão indica que, mesmo entre trabalhadores formais, há dependência de linhas de crédito mais caras, o que pode comprometer a capacidade de pagamento no médio prazo.


A distribuição regional da inadimplência acrescenta outra dimensão ao quadro. O Norte apresentou a maior alta recente no número de inadimplentes, com crescimento de 9,73%, seguido pelas regiões Sul (9,25%), Sudeste (8,97%), Centro-Oeste (6,71%) e Nordeste (6,60%).


Os dados indicam que o endividamento no país não está distribuído de forma homogênea, se concentrando em grupos que combinam menor renda, maior instabilidade ocupacional e acesso mais limitado a crédito em condições favoráveis.


A maior presença de mulheres entre os inadimplentes, por exemplo, ocorre em um contexto em que elas, em média, recebem salários menores e acumulam maior responsabilidade sobre despesas domésticas.


Ao mesmo tempo, a elevada participação do crédito rotativo sugere que parte relevante dos consumidores recorre a essa modalidade não como escolha, mas como alternativa diante da impossibilidade de quitar integralmente suas dívidas.


Como essa linha possui juros significativamente mais altos, seu uso recorrente tende a ampliar o saldo devedor e prolongar o ciclo de inadimplência.


“Populações com maior dificuldade de acesso podem recorrer a opções de crédito mais caras e menos favoráveis. Portanto, a combinação desses elementos resulta em uma variação considerável nas taxas de juros pagas pelos diferentes grupos da sociedade”, afirma o relatório do BC.


Fonte: Portal Metrópoles


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